quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Carry On My Wayward Son

Doi... O menino fez-se homem à força... Construiu as suas muralhas adultas em cima de areias jovens e ingenuas... e agora, de quando em vez, o homem apaga-se e o menino luta por fugir à prisão dentro de si mesmo... Ouve-se o pranto... Sente-se o tremer do corpo nervoso e em agonia...
Quem prendeu o menino? Que macabro acaso da vida lhe pilhou a meninagem? Que homem é este que (sobre)vive com alicerces de uma infânica que se lhe escapou diante dos olhos?
Não é homem... é menino com barba e roupa de senhor...

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Twenty Two

Escrevo hoje estas linhas recordando...

as 22 vezes que sonhei...
as 22 vezes que lutei...
as 22 vezes que perdi...
as 22 vezes que gritei...
as 22 vezes que corei...
as 22 vezes que esperei...
as 22 vezes que desesperei...
as 22 vezes que voei...
as 22 vezes que cresci...
as 22 vezes que amei...
as 22 vezes que abracei...
as 22 vezes que chorei...
as 22 vezes que venci...
as 22 vezes que sucumbi...
as 22 vezes que renasci...
as 22 vezes que mudei...
as 22 vezes que sofri...
as 22 vezes que sacrifiquei...
as 22 vezes que desejei...
as 22 vezes que ambicionei...
as 22 vezes que vivi...
as 22 vezes que recordei que a vida começa sempre amanhã...

sábado, 8 de maio de 2010

Mad World

É ingrato este mundo... É ingrata esta existência que nos fere a cada passo... É louco o mundo ou aquele que julga que o pode mudar? Que julga fazer-lhe falta...
Todos somos dispensáveis... Todos somos substituíveis.. A banalidade de cada um é dolorosa mas real... e cada vez mais real à medida que aceitamos abrir os olhos e ver a verdade...
É ingrata... penosa... mas é a realidade... e a realidade não pode ser questionada... nem contestada... e a realidade é que cada um de nós ocupa apenas o lugar que lhe é permitido ocupar... porque assim que o trabalho estiver feito... assim que a nossa presença tiver cumprido o seu dever... a nossa importância é história escrita numa agenda com data vencida...
Nada dura para sempre... Um dia somos tudo... No outro somos nada... um nada esquecido... um nada indiferente... um nada afastado e enterrado...
E de que adiantou dar tudo? De que valeu entregar tudo se agora nos arrependemos... e juramos que nunca mais!
Contente-se quem for tudo... Aproveite... Mas que tenha consciência que só agrava a dor de ver o dia em que nos tornamos nada chegar... E já chegou...
A ingratidão é pólvora que alimenta a explosão de repulsa e revolta que ocorre dentro do invólucro a que chamo corpo... disparado em direcção ao futuro...

sexta-feira, 9 de abril de 2010

It's just a dream

There's something in my chest... It's painfull... hard to express... hard to contain...
I'm burnning in this pain... it's pushing me to death... I'm dying inside this body... all I am... All I was... and I'm simply waiting for it to comes... I don't know what to do anymore... I think I can do nothing more...
I've done everything... I gave my heart... my soul... my tears and blood... I gave me, and everything I am... but it looks like it was not enough... I was not enough...
I've tried everything... I've tried to make the world turn in other way... I've tried to reach the top and take you with me... I've tried to dive to the bottom of this dark and troubled sea to rescue from there... I've tried to paint the world in yellow, but you still see it in blue... I've tried to raise everything new... flowers on sand... lights on darkness... music on silence... kisses on shouts... love on fear... hope on uncertaninty... I've tried, I've tried, I've tried... but all the built walls fell down with selfish winds...
I have this whisper telling me something that I can no longer understand... I'm no longer able to see things like they are... I´m no longer able to see the world like it is... I'm no longer able to know you... to feel you... to want you... because you have taken all from me... You took everything with you... and gone away...
This dream I have... this dream I had... become ashes in the wind... flying from my hands... taking away my hope... my strength... my soul...
Don't mind... It's just a dream...

segunda-feira, 1 de março de 2010

U Know You I Am

Palavras, palavras, palavras... palavras e mais palavras... ou deveria dizer: Flechas, flechas, flechas... flechas e mais flechas...
Flechas que me trespassam o corpo... a carne... Flechas embebidas em dor ardente e agoniante. Flechas que rasgam a alma... que ferem o ego e empurram para o precipício todos e quaisquer sonhos...
Este vazio pesado e morno que me preenche o peito... que me torna oco... sem conteúdo... sem valor... Este vazio que se apodera de mim como um animal selvagem se apodera da sua presa...
E fui apanhado... Ingenuamente cai na armadilha... Deixei que as palavras tomassem a dianteira e dizimassem o que coração sentia...
A crueldade das sílabas fez de mim saco de porrada... pendurado... à espera de ser tomado pela fúria dos golpes...
A minha imbecilidade foi a espada que me cortou a cabeça... a dureza das palavras foi as mãos que a colocaram na bandeja...

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Disarm

Sentir o pulsar do meu corpo a cada traço de uma linha descontinua que divide o percurso negro onde viajo... Sentir que cada vida passada foi um ensinamento único e desprovido de complexos inigmas que teimamos em criar... Sentir que cada dia que está por vir será mais uma recordação de uma existência segura e ambiciosa...
O que sou eu senão o pé descalço de uma criança que joga à bola num terreno coberto de estilhaços de vidro? O que sou eu senão um corpo entregue às balas disparadas de todos os ângulos e direcções? O que serei eu senão um cadáver enterrado na terra que piso... o que fui eu senão um pássaro que mesmo sem saber voar se atirou ao vento... se entregou ao céu infinito...
Do sofrimento resta a cicatriz... Da dor resta a lembrança... Da queda resta o momento em que me erqui...
Não serei apenas mais uma maçã num cesto cheio de outras maçãs... Não serei igual à igualdade... nem diferente na mesma diferença... Não serei mais uma vitima do mundo que ajudo a construir... da sociedade que ajudo a erguer... Recuso-me a ser uma voz perdida no coro... uma palavra perdida no texto... Recuso-me a entregar-me a quem quer que seja... ao que quer que seja... Recuso-me a conformar-me com os meus próprios erros... Recuso-me a resignar-me... Recuso-me a recusar-me...

Vou... onde quer que a estrada me leve...

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Wheels

Ali, o que parecia estava longe de o ser... Um sorriso amarelo escondia-lhe uma vontade enorme... segurava dentro de si algo que a cada segundo crescia...
Virou então as costas... Erguendo o corpo... Enchendo o peito dirigiu-se para as escadas que o levavam de volta a casa... àquele espaço que lhe confinava as emoções... que lhe parecia seu e ao mesmo tempo tão estranho... Mas era seu unico refugio...
Subindo as escadas o rosto foi-se fechando... o queixo subindo cada vez mais em direcção ao nariz... como que aprisionando com todas as forças aquele sentimento interior... e a cada degrau da pequena mas infinita escadaria ia sendo mais dificil... cada vez mais doloroso de conter...
Chegou à porta... já com dificuldade rodou a chave... passá-la foi um instante... até a bater atrás de si...
Mas... já dentro daquele espaço agora escuro... agora vazio... as forças fugiram e todo aquele sentimento penoso se soltou... Como que num sopro de vento de inverno o choro propagou-se por toda a casa... O mundo silênciou-se por um momento para ouvir aquele pranto a plenos pulmões... acompanhado de um rio de lágrimas que depois de lhe percorrer o rosto pingavam para o chão gelado... Ali se encontrava um corpo que libertava toda a dor acumulada... Um corpo que percorria por completo a porta escorregando até ao chão... até acabar naquele frio chão de tijoleira... Um corpo de homem num pranto tão sincero... humilde... quase infantil...
O tempo que demorou nem o próprio tempo o contou... Não interessava... O importante era apenas a libertação da dor... o esvaziar da alma...
Acabando por se levantar de forma lenta... com um ar esgotado... com o rosto ainda marcado pelo percurso das lágrimas, o sentimento era de vazio... a dor deu lugar a nada... a uma existência sem sentido... à falta de tudo...
e dali como seguir? Ninguem sabe... mas assim será...

sexta-feira, 1 de maio de 2009

In Your Honor


A herança de um Homem são os seus actos e as suas palavras... Morreu o Homem... Ficaram as memórias... Nasceu a Lenda...

Para Sempre... Ayrton Senna

segunda-feira, 23 de março de 2009

Leave Out All The Rest

Perfeccionista… mas não perfeito… aquilo que move o meu mundo é a procura do ideal… a busca por algo que seja digno de ser louvado… idolatrado… cumprir um sonho… concretizar um desejo… como objectivo a paz de espírito… o sentimento de missão cumprida… procuro… busco-o… mas não quero encontrá-lo… não procuro a satisfação total… não… procuro criar uma base para poder envolver-me numa luta constante pela utópica perfeição… sempre em constante rejuvenescimento… em constante mutação… apreendendo com o mundo e com os seres que o constituem… errando… falhando… experimentando… só assim me parece ser interessante… só assim encontro motivação para continuar… quero ser perfeito… quer dar sempre o máximo possível… mesmo com a certeza de que a perfeição é inalcançável… que me julguem… que não me compreendam… custa… mas ultrapassa-se… os ideias são mais fortes… as convicções são mais fortes… ninguém nunca ficou na história por dar o exigido… ninguém nunca marcou por fazer o indispensável… marca-se por fazer mais… marca-se por dar tudo… nenhum génio é unânime… nenhum génio deixou de ser controverso… de ser julgado… de ser criticado… mas isso criou o génio… isso o colocou num patamar longínquo ao dos comuns mortais… Não procuro a genialidade… Nem posso… Procuro apenas a utópica perfeição… Como uma razão para viver… como um objectivo a cumprir
Não quero ser como tu… não quero ser como ninguém… Não posso ser quem és… Nem quero Orgulho-me de quem sou… do que sou… Não sou perfeito… eu sei… mas nem tu nem ninguém tem moral para mo dizer… porque nenhum de vocês o é… Como tal… critiquem-me… julguem-me… mas não esperem fazer qualquer diferença… Porque a linha que separa a auto-confiança da casmurrice é muito mas muito ténue… e eu cansei de a distinguir…
Não quero ajuda… não quero que ninguém me salve de mim próprio… quero que cumpram o vosso papel… e se não o cumprirem… eu fá-lo-ei… Porque sou responsável por tudo aquilo que me rodeia… porque sou responsável por tudo aquilo que eu acho que devo ser… porque se o mundo não girar em minha volta… eu farei com que gire…
A minha força não se vê nas lutas físicas que travo… não se vê nos murros que dou ou deixo por dar… A minha força não se vê no poder que exerço sob os outros… quem quiser que fique por cima… quem quiser mostrar-se superior que o faça… se isso o satisfizer… eu sei o meu caminho… eu sei o que quero de mim… eu sei o que se esconde por baixo da mascara… Eu conheço-me… sei quem sou… e isso chega-me…

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Next Year

Existem várias frases feitas sobre aquilo a que geralmente chamamos de vida… Dizem que é difícil… que é imprevisível… que são apenas três dias… e a minha preferida: “A vida é o que nós fazemos dela”. Uma coisa é inegável. É o tempo que a rege…
Um ano pode ser muito e ao mesmo tempo pouco tempo… Depende da importância que tem para nós, daquilo que conseguimos realizar, dos erros que conseguimos cometer… é muito subjectivo. Verdade é que há anos que duram uma vida… há vidas que duram um ano… e há anos que marcam mais que outros cinco anos juntos.
Sim… é isso… Digamos que é uma espécie de revisão daquilo que o ano 2008 significou… O que mudou… o que ficou na mesma… o que tem mudança marcada… e o que já se viu que nunca vai mudar…
O ano que hoje termina mudou-me… Deu-se um “corte” na minha vida. Um corte com o passado… Um corte com os medos e os receios que faziam de mim quem eu era… Um corte com as memórias que me aprisionavam… Um corte com a imagem… que transmitia… para os outros e para mim próprio…
2008 foi duro… foi difícil… a crise foi palavra de ordem… obstáculos esses foram mais que muitos… desilusões… confirmações de desilusões… houve de tudo um pouco… Mas a verdade é que em 2008, pela primeira vez deixei de ligar a essas mesmas desilusões… e confirmações de desilusões… Pela primeira vez pisei-as e usei-as como tábua de chamada para um novo futuro… Um que acredito seja feito por mim… pelas minhas atitudes… Pela primeira vez passei mais tempo a olhar em frente do que a olhar para o chão… Não me interessaram as interpretações dos outros… Não me fez diferença o olhar dos outros… Liguei a mim próprio… e a quem me é realmente importante... Em 2008… pela primeira vez existi.
Reduzi a minha lista de amigos… Reduzi a minha lista telefónica… de e-mails… Cheguei a mim quem mais me importa… Fechei portas… Abri janelas… Vedei finalmente um espaço apenas com coisas importantes… Tudo o que não interessava deixei sair… Despejei caixotes velhos… Abri espaço para coisas novas… para gente nova… Em 2008 voltei finalmente a apaixonar-me… e mais que uma vez…
A cor do meu ano foi o “Preto”… e isso faz-me feliz… Apesar do que se possa achar foi muito importante… ajudou imenso… e lá está… não me interessa que achem o contrário… Interessa-me apenas saber como foi importante… A musica do meu ano foi da pesada… Assumida… Destruidora… Viva… Alegre, Triste e Sentimental… Forte… Dançável bastantes vezes…
Em 2009… quero entrar com força… com vontade… a pensar naquilo que quero alcançar… no que quero que me faça feliz… Como objectivos tenho o trabalho, o amor, a amizade, a família… Quero emendar pequenos erros… ligar-me de novo a pessoas que por isto ou aquilo deixei que se afastassem um pouco… nada de grave… Quero seguir o meu caminho… Nada menos… Tudo a mais…
Para entrar não vou usar nenhuma daquelas superstições… porque quem vai fazer o meu Novo Ano sou eu… e a minha vontade… e o meu trabalho… e a minha força… mas Eu!
Bom Ano!

Bio