Indiferença... A horrível indiferença é nesta hora um sentimento estranho... muito estranho... Mais que as palavras... mais que os sentimentos... neste momento apenas uma coisa se admitia: uma lágrima... um choro... porque não faze-lo? porque não verter uma pequena lágrima que seja? nem que seja para marcar o momento... nem que seja para parecer humano...
É estranho... uma cara vagamente familiar… mas... ao mesmo tempo conhecida... ao mesmo tempo sei... que desconheço.
Não! Não parece ser real... parece um sonho, agora, impossível de concretizar... agora que o tempo acabou... agora que a porta se fechou... A viagem essa é longa... talvez demasiado longa... não a distância... mas o tempo...
Mais que as palavras deveriam ter ficado os actos... os passos... Não! Não pareceria justo... eu sei... mas parece que por estes lados a justiça é apenas isso... uma palavra... não um acto...
Mais uma vez é feita a questão... porquê esconder? Porquê deixar de dizer as palavras certas? Mesmo ao longe... mesmo para o ar... se fosse eu, dizia-as... para que o vento as levasse... porque apesar de tudo perdoar ainda é possível... e eu sei que o que quer que houvesse para perdoar, foi perdoado... mesmo que nunca tenha chegado a ser transformado numa expressão...
Mais que as palavras... mais que os actos... mais que os sentimentos... mais que tudo vive o Homem... o podre... o mau... o detestável Homem... e esse sim... é o pai... da indiferença...
2 comentários:
Muitas vezes as pessoas preferem chorar escondidas. Ou pura e simplesmente omitir esses sentimentos através de máscaras chamadas sorrisos, e estarem a corroer por dentro! Dói, mas não querem dar a entender que estão a sofrer, ou mesmo outro qualquer tipo de sentimento desagradável por forma a nao trepassar a dor aos outros... Conheço pessoas que o fazem com bastante frequência. Pode não ser o mais correcto, mas por vezes mostrar as fraquezes não é de facto a melhor solução. Entendeste, certo??
Proclame-se a indiferença cruel e gélida, como acto ou palavra, como sensação. Ousem proclamá-la aos ventos para que fira as peles menos tocadas, as máscaras dos espectros que indiferentes à essência usam do teu conceito a lasca de uma egoísta salvação, quiçá almejante de uma futura integração no púlpito, hoje descrente ( Sociedade).
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