terça-feira, 15 de julho de 2008

Esta Cidade

Neste chão coberto de cinzas dorme o corpo… aqui… no meio do nada… tudo parece ser uma nuvem carregada de uma vontade de chover… aqui… no meio do nada… o corpo apodrece… marcado por guerras e tempestades… marcado por um tempo infinito de provações… de testes… aqui… no meio do nada… a palavra “caminho” não tem qualquer sentido… qualquer conotação… aqui… no meio do nada… neste chão coberto de cinzas dorme o corpo… para sempre…
Recomeça a batalha… recomeça o silêncio ensurdecedor dos disparos… mais feridos… mais corpos caídos no meio do campo de guerra… O laço do Ódio sai mais uma vez fortalecido… juras de dor… juras de morte… juras de vingança são feitas por entre punhos serrados e armas apontadas… numa direcção só… o outro
Dias… Dias passam sem um fim anunciado… Horas sem fim vão degolando toda e qualquer esperança… A fome cresce… uma fome já de si saciada… uma fome de sangue… uma fome de morte… Quanto mais come mais quer comer… não há meio de a parar… Ninguém está a salvo neste mundo de esfomeados… ninguém escapa neste mundo de bestas… Não há luz que ilumine… Não há flor que cresça… Não há coração que bata sem bombear… Terror…
Nada explica tudo isto… Nada justifica isto… Nem a revolta… nem a ganância… nem gula…
Deste lugar nada se aproveita… destas cinzas nada vai renascer… aquele corpo coberto por um cartão velho e húmido… ou este simplesmente atirado para o canto da sala… Daqui a morte parece um sitio sossegado… de paz…

Sem comentários:

Bio